Escola em Heliópolis se torna referência e transforma comunidade em ‘bairro educador’

São Paulo – Em  Heliópolis , na zona sul da cidade de São Paulo, todo o  estigma da
violência , que marcava a região, é hoje insuficiente para dar conta de uma das
maiores comunidades da América Latina, reconhecida agora pelo título de
“bairro educador” pelo trabalho da Escola Municipal Campos Salles. Na
comunidade, que abriga mais de 200 mil moradores, essa transformação só foi
possível após a  compreensão de que bairro e aluno são um mesmo organismo  e
que precisam atuar em parceria.
A ideia partiu de um ex-diretor da instituição, Braz Rodrigues Nogueira, em
parceria com a União de Associação de Moradores (Unas) depois que a escola
teve computadores roubados. Como resposta, ao invés de aumentar os aparatos
de segurança, surgiu a proposta de derrubar os muros. “Numa escola da
comunidade, o que faz a proteção não são os muros”, ressalta o diretor ao
repórter José Eduardo Bernardes, do Brasil de Fato, em  matéria  divulgada
peloSeu Jornal, da TVT.
Com nova fachada, já sem os muros físicos, a instituição elaborou ainda um
novo projeto de ensino, apresentado aos professores e  membros da
comunidade , e aprovado democraticamente, garantindo que estudantes e
professores trabalhem de forma integrada, levando em conta os direitos de
aprendizagem e os parâmetros curriculares mas, principalmente, a fala dos
alunos. Assim, 12 salas de aula foram transformadas em quatro grandes salões,
onde os educandos se sentam junto com três professores, um projeto baseado
na filosofia de ensino da Escola da Ponte, de Portugal.
“Não é possível você dar conta de uma demanda social, como a gente tem no
Brasil do século 21, sozinho. Então a gente precisa encontrar caminhos de

trabalhar juntos”, destaca a diretora do Centro Educacional Unificado (CEU) de
Heliópolis, Marília de Santis. Depois das mudanças a escola já alcançou a meta
estipulada pelo município para a educação básica  e ganhou apoio de pais e
mães. “Está dando certo”, garante a mãe de um dos alunos da instituição Maria
Aparecida Andrade. “O meu filho está aprendendo a ler. Ele fez sete anos agora
em agosto e está aprendendo a ler e escrever”, fala orgulhosa.