Muito cacique e muito índio

Gilmar Barboza é especialista em desenvolvimento associativo, setorial e territorial. É autor metodológico de publicações sobre cultura associativa e da cooperação. Coordenou no ano de 2010, o Mapeamento Nacional de Entidades de Representação Empresarial executado pela Forward Consultoria e chancelado pelo Sebrae Nacional.

 

Quando o assunto é cultura associativa, o brasileiro é, usualmente, taxado de desconfiado e arredio,. Há a postura tradicional de se passar procurações em branco para que entidades empresariais e de trabalhadores atuem na defesa de interesses, que deveriam ser eminentemente coletivos e edificados sobre a égide da protagonismo.

 

Países como a Inglaterra , Alemanha, Dinamarca e Estados Unido têm pouco mais de algumas dúzias de sindicatos patronais organizados . Isto significa que seus pleitos e conquistas têm mais eco sobre as autoridades constituídas e mais credibilidade sobre os segmentos de onde procedem seus representados.

 

No Brasil,  o nº de sindicatos patronais extrapola 4.000 entidades formalmente, constituídas, sobretudo, em torno da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Confederação Nacional do Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional do Comércio (CNC).

 

Há segmentos econômicos como o de hotelaria e de alimentação que chegam a receber cinco, seis e até sete diferentes guias de cobrança de contribuições sindicais, eximidas de obrigatoriedade em 2017, e que impuseram forte golpe a entidades sanguessuga. Cabe, neste caso, a menção honrosa de que a carapuça não se encaixa em qualquer cocoruto. Há organizações reconhecidas pela atuação irrepreensível de seus filiados e associados.

 

Além da legião de mais de quatro milhares de sindicatos patronais, uma outra imensa horda de entidades de representação empresarial se vincula aos sistemas de livre adesão, cujos entes de maior expressão são a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas CNDL Organizações setoriais como a Abit, Abrasel e Abad, engrossam este caldo adiposo, embora o sistema de livre adesão prime pela contribuição espontânea de seus associados e por uma atuação, em geral, mais meritória que os sistemas patronais tradicionais.

 

Em 2010, universo superior a 8 mil cooperativas, originárias dos mais variados segmentos econômicos, exibiam sua pujança. Atualmente, este número declinou para pouco mais 6,7 mil. Encolhimento provocado pela tendência a uniões e fusões, que deveriam inspirar outros sistemas desidratados pelo tempo e pelo pouco apetite à inovação.

 

No total, algo ao redor de 18 mil entidades de representação empresarial se perfilam e digladiam pelo mesmo universo de empresas na órbita de mais 10 milhões de empreendimentos ativos, carentes de açúcar e de afeto, que navegam as águas caudalosas da economia brasileira.

 

Tanto sistemas sindicais quanto associações de livre adesão exibem, em seu DNA, filiadas que exercem papel incisivo em ganhos de produtividade, acesso a mercados e à inovação, e na melhoria do ambiente de negócios em seus territórios de intervenção, o que não significa dizer que, na arena associativa, o joio tenha se rendido ao trigo.

 

Segundo dados decorrentes do Mapeamento Nacional de Entidades de Representação Empresarial, realizado em 2010, pelo Sebrae, apenas 5% do total de 18 mil entidades identificadas exerce com excelência seu papel de defesa das empresas representadas.

Ações de representação e, principalmente, de ganhos sistêmicos de competitividade – que são a fórmula mais racional para se assegurar empregabilidade a quem trabalha e lucratividade a quem produz – se enamoram de interesses corporativistas. A babel associativo-sindical peca por não ser poliglota nem cultura da cooperação e tampouco em competitividade. É  por estas e outras que, nesta aldeia chamada Brasil, se diz haver muito cacique e muito índio.

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