A voz de quem mobiliza as comunidades do Recife no combate ao novo coronavírus

Fonte: Jornal do Comércio Recife PE

BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

O ex-presidente e agora membro da Associação dos Moradores da Ilha, Jonhson Pinto, usa o o “boca a boca” para conscientizar a comunidade sobre a necessidade em estar recluso – FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

Mais do que meros representantes, líderes comunitários têm a percepção inerente da vivência dos lugares onde moram e, neste momento de dificuldade que Pernambuco enfrenta, com a transmissão da covid-19, tornam-se peça chave para construir uma ponte entre informações governamentais e os cidadãos. No Recife, capital que somava 2.062 casos confirmados e 137 óbitos pelo novo coronavírus até a quinta-feira (23), o trabalho destas figuras consiste em pedir que a população respeite o isolamento social, medida necessária para frear o avanço da doença infectocontagiosa, comunicar sobre prevenção e prestar serviço às famílias mais necessitadas.

A deixa do secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, na coletiva de imprensa dessa quarta-feira (22), foi um apelo para que, mais do que nunca, as pessoas influentes nas comunidades da cidade auxiliem o poder público a divulgar informações sobre o novo coronavírus aos moradores. “É uma convocação às lideranças das comunidades, aos vereadores que exercem liderança local, aos presidentes de associações de moradores, aos clubes de mães, às organizações de condomínio, para que as mensagens que são dadas aqui, rotineiramente e diariamente, sejam repassadas e reforçadas”, finalizou.

Este é o trabalho que a Associação Socioeducativa Viva Pirripa, atuante na comunidade Jardim Beira Rio, no Pina, bairro da Zona Sul do Recife que soma cerca de 29 mil habitantes, vem realizando desde a chegada da pandemia na cidade. De acordo com o presidente da organização, Pedro Andrade, a rotina no centro urbano parece seguir normal, apesar de já terem sido confirmados 17 casos e 2 mortes no bairro, segundo boletim da Secretaria de Saúde dessa quinta-feira (23). “A maioria das pessoas acredita no vírus mas não acredita que ele possa chegar até elas. Então ficam aglomeradas, ficam nas calçadas, todo dia tem ‘pelada’ (partidas de futebol) e uma lanchonete fica aberta”.

Frequentemente, a Viva Pirripa informa sobre os perigos do novo coronavírus aos moradores da região. “A gente está informando com panfletos, que vêm da Prefeitura, e conversa”, disse o presidente, que confirma: “as pessoas acreditam muito na gente por nos ver trabalhando, isso ajuda muito”. Os voluntários também monitoram quem está com sintomas da covid-19 e reportam à secretaria de Saúde. “Sempre fazemos um levantamento de quem está se sentindo mal, com febre ou gripe, e passamos as informações para a gestão”.

Ainda são entregues pela associação máscaras laváveis para comerciantes que continuam trabalhando na localidade e cestas básicas para as famílias da vizinhança. “A gente conseguiu atender uma boa parte da comunidade e estamos tentando arrecadar para poder atender mais gente. Queremos influenciar não os empresários e comerciantes, mas a população a se ajudar”. Só na última semana foi distribuída meia tonelada de alimentos, que podem ser doados na rua Maranhão Sobrinho, número 73.

Buscando manter ainda mais pessoas em casa, a Prefeitura do Recife equipou carros de som com mensagens de voz do agente de saúde local de cada comunidade, alça voo de cinco drones que percorrem 15 áreas de difícil acesso e realiza, ainda, o envio de mensagens para telefones celulares. O secretário de Inovação Urbana do Recife, Túlio Ponzi, avalia que tais medidas já causaram efeito positivo nos centros urbanos. “Esse conjunto de ações fizeram com que Recife, na semana passada, ficasse durante quatro dias (14, 16, 18 e 19 de abril) como a capital mais reclusa do Brasil.” Já esta semana, Recife atingiu a posição na quarta-feira, 22, quando 53,4% da população esteve reclusa. Em seguida, vem Brasília, no Distrito Federal, com 52,9%. E, em terceiro lugar, está Belém, no Pará, com 52,3%. A porcentagem de reclusão não é divulgada por bairro, com o intuito de não estigmatizar as regiões, segundo a Prefeitura.

Os índices de reclusão no Recife são monitorados pela empresa de tecnologia In Loco. A tecnologia permite mapear a movimentação de pessoas dentro de regiões específicas e medir quais apontam maior distanciamento social, porém respeitando a privacidade de cada usuário. “Com a nossa tecnologia, podemos ajudar no combate à disseminação do coronavírus. De forma criptografada e agregada, sem dados que possam identificar diretamente um usuário específico, nosso levantamento permite que os órgãos responsáveis atuem diretamente nas áreas de risco ou mais afetadas pelo vírus”, explica André Ferraz, CEO da In Loco. O crescimento da adesão à quarentena foi percebido por moradores do Alto do Rosário, em Dois Unidos, bairro da Zona Norte do Recife que já registrou 31 casos e seis mortes pela covid-19 em um universo de 32 mil habitantes. A pedagoga Elizabete Alves dos Santos, de 57 anos, conta que já viu os carros de som percorrerem as ruas da região, e que, no Alto do Rosário, o medo é iminente. “Tem muita gente dentro de casa e preocupada, porque em Dois Unidos já soubemos de muitos casos de coronavírus. O pessoal está se conscientizando dos riscos da doença”.

Influente na comunidade, Elizabete mantém um grupo no WhatsApp com 37 pessoas onde divulga notícias relativas ao coronavírus e organiza mobilizações para ajudar famílias mais carentes. “Estou sempre divulgando a situação do Brasil. A gente está juntando alimentos para ajudar algumas famílias que estão em situação de risco, para elas não irem para as ruas. Tudo o que eu posso [fazer] para informar, explicar às pessoas sobre o perigo da doença, estou sempre fazendo”.

O secretário de Inovação Urbana explica que a Prefeitura busca a relação com toda a sociedade, independente das lideranças comunitárias. “A gente vem fazendo um trabalho escutando todo mundo”. Entretanto, ele expõe que tais figuras são importantes para administrar a situação da covid-19 nos aglomerados urbanos. “As lideranças são fundamentais para você administrar qualquer cidade, são pessoas que lutam e conhecem os problemas de suas comunidades. Então a gente vem buscando, sim, envolver todo mundo”, disse Ponzi.

Com 36 casos confirmados e uma morte em Santo Amaro, no Centro do Recife, povoado por 27 mil pessoas, a Ilha de Santa Terezinha, localizada no bairro, ainda carece de conscientização. De acordo com o morador e ex-presidente da Associação dos Moradores da Ilha, Jonhson Pinto, de 57 anos, muitos moradores locais não respeitam a quarentena, e alguns centros comerciais continuam em funcionamento. “Eles ainda não perceberam a gravidade do problema. Então a gente ainda tem moradores que se sentam para jogar, outros que vão para o bar”.

Agora membro da organização de moradores, Jonhson usa o “boca a boca” para conscientizar sobre a necessidade em estar recluso. “A associação [informa] muito no boca a boca pela vizinhança, alguns agentes comunitários de saúde também participam da associação, então fazem os dois trabalhos ao mesmo tempo”.

Para melhorar a reclusão, a organização contrata uma pessoa que percorre a vizinhança de bicicleta, todos os dias, das 10h às 12h, avisando por meio de mensagem em som sobre a necessidade do isolamento. De acordo com o presidente da associação da Ilha de Santa Terezinha, Henrique Tranquilino, de 59 anos, quatro costureiras também confeccionam máscaras que, posteriormente serão distribuídas. “Temos quatro máquinas de costura, com quatro costureiras, para a gente confeccionar, em média, 5 mil máscaras para distribuir para a comunidade”.

Além disso, a Associação encabeça campanhas para arredação de alimentos. “Também estamos recebendo uma ajuda de parceiros, como Instituto Maria da Penha e Movimento Feminista, que doam cestas básicas”, afirmou o presidente.

Fonte: https://jc.ne10.uol.com.br/pernambuco/2020/04/5607042-a-voz-de-quem-mobiliza-as-comunidades-do-recife-no-combate-ao-novo-coronavirus.html

Autor: Gilmar Barboza

Talvez a primeira guerra de amplitude verdadeiramente global seja travada agora, por ocasião da pandemia do coronavírus, por atingir indistintamente quase todos os países do mundo e por não estabelecer diferenças entre classes sociais, etnias e territórios.

Os oito princípios do associativismo livre adesão; gestão democrática; participação econômica dos sócios; autonomia; aperfeiçoamento contínuo e investimento em educação; integração entre associados; compromisso com a comunidade; e disseminação do associativismo representam uma alternativa para reorganização da sociedade em um mundo a ser erguido sob a égide do ‘novo normal’.

 

Livre Adesão

Um dos aspectos diferenciais do movimento associativo refere-se ao fato de as pessoas se unirem de forma espontânea em torno de uma agremiação e de interesses comuns. Essa participação voluntária confere a entidades empresariais e comunitárias legitimidade, pois o processo de filiação não se dá de forma compulsória.

O princípio da livre adesão, entre outros fatores de diferenciação, permite aos associados que se unam por afinidades, de modo a tornar mais coesas suas ações em prol do segmento ou causa que representam.

De forma tão frequente quanto possível, os gestores destas organizações devem analisar criticamente se a atuação e estrutura vigentes proporcionam satisfação e percepção de valor por parte significativa do quadro social. Além disso, cabe avaliar quais iniciativas podem ser promovidas para melhorar os níveis de desempenho registrados, perante todos os atores-chave envolvidos em seu processo de desenvolvimento institucional, bem como zelar pela condição de atratividade e acolhimento permanente de novos associados.

 

Gestão democrática

A expressão máxima de igualdade e da prática democrática, em uma entidade associativa, refere-se à paridade existente em relação ao voto do associado, ou seja, cada filiado à organização detém o mesmo poder de influência em suas decisões de caráter majoritário, sem distinção de posição econômica, ramo de atividade, prestígio ou tempo de filiação de quaisquer associados, que integram o quadro social da entidade.

Em geral, o estatuto de entidades associativas assegura que todo filiado possa ser elegível para ocupação de cargos diretivos em seu processo sucessório e inibe restrições que denunciem preconceito ou tendenciosidade em sua estrutura decisória.

Outro aspecto de interesse em uma gestão democrática é o caráter de transitoriedade das lideranças. Ainda que certo grupo de pessoas ou lideranças sejam imprescindíveis para a ascensão da entidade, devem-se estabelecer adequadas condições de formação e ou inserção de novas lideranças que contribuam para o permanente processo de oxigenação da organização associativa.

É essencial que a entidade associativa preste contas a variados públicos de interesse acerca de suas fontes de receitas, despesas e em relação aos aspectos principais de seu funcionamento cotidiano, pois a transparência não é somente um dos pilares do associativismo, mas também da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e dos princípios que regem sociedades livres e modernas.

 

Participação econômica dos sócios

O modelo de livre adesão, numa organização associativa, pressupõe estabelecer mecanismos de custeio e financiamento da entidade por meio de contribuições voluntárias, embora possa haver a prática de mensalidades distintas para diferentes categorias de associados, bem como mecanismos alternativos para geração de receitas.

Associações de vanguarda tendem a trocar a cobrança de mensalidades pela prestação de serviços e pela competência específica de elaborar, gerir projetos e constituir alianças estratégicas. Assim, o tradicional questionamento sobre o porquê de filiar-se à entidade se rende à percepção de valor gerada pelo evidente resultado econômico, financeiro ou social produzido para seus beneficiários.

 

Autonomia

Para que a organização associativa alcance uma posição de independência política e financeira é essencial que algumas posturas sejam adotadas em seu dia a dia, a iniciar-se pela atitude de seus dirigentes que deve ser apartidária, embora não apolítica. Isto significa desfraldar bandeiras e defender causas de interesse de seu quadro social perante agentes públicos e privados, mas com o evidente objeto de promover o bem comum da comunidade ou sociedade em que se insere.

Também há que haver preocupação quanto à criação de mecanismos de financiamento e custeio de suas atividades. Ter receitas próprias significa ser “dono do próprio nariz” e, por conseguinte, ter maior propensão à independência em todas as dimensões de atuação de uma organização social.

O tema representatividade é outro que se vincula à autonomia da entidade associativa.  Mas afinal de contas, o que é conceber uma entidade representativa? Intuitivamente pode-se responder que é possuir um grande número de associados. E isso, por si só, é o suficiente para que seja ostentado o status de representatividade? Esta condição deve ser ampliada à capacidade de o ente associativo ser legítimo porta-voz e articulador dos interesses dos representados.

É desejável, portanto, que reúna em seu quadro social e em sua diretoria, representantes dos mais variados segmentos do recorte territorial em que se situa. Essa atitude tende a ampliar os horizontes de atuação da entidade, bem como seu reconhecimento social, capacidade de mobilização e articulação institucional.

No exercício do apoio à criação do ambiente apropriado ao desenvolvimento  local – e toda entidade de referência deve contribuir para este status – é natural que a entidade assuma um papel de articulação institucional e de controle social dos poderes constituídos por meio, por exemplo, da participação em audiências públicas, da invocação da Lei da Transparência e do acompanhamento de pautas do Executivo e do Legislativo.

 

Aperfeiçoamento contínuo e valorização da educação

De uma forma geral, a importância do associativismo é reconhecida por toda sociedade, mas, infelizmente, a educação para o associativismo não faz parte das grades curriculares de escolas ou universidades e nem das estratégias habituais de capacitação adotadas por entidades associativas. Não por acaso, o Brasil conta com um grande número de organizações associativas, mas com um pequeno contingente de pessoas devidamente preparadas para atuação cotidiana nestas entidades.  Por isto, lideranças associativas precisam assumir relevante papel na preparação de quadros para o associativismo e para a edificação de uma cultura da cooperação a ser disseminada por toda sociedade.

Igual preocupação deve-se ter quanto à profissionalização da gestão da entidade. Apesar da inegável relevância do papel, usualmente, voluntário de dirigentes associativos, é essencial contar com a adequada tecnologia de gestão para o alcance de pleno êxito pela entidade.

A formação e animação de redes constituídas por lideranças empresariais e comunitárias configura-se como outro desafio. Embora se diga que líderes nascem prontos, todo e qualquer indivíduo prescinde de continuado processo de formação e aperfeiçoamento pessoal. Quando esta análise se estende ao funcionamento de redes de cooperação, ações permanentes de educação funcionam como a argamassa que dá coesão a grandes edificações.

 

Interação entre associados

O êxito de uma entidade associativa, no cumprimento de sua missão institucional, pressupõe reunir e organizar os diferentes segmentos que representa, tanto em torno de ações técnicas e de mobilização quanto em relação a ações festivas, de congraçamento, premiação e aprendizagem.

No caso específico de entidades associativas empresariais, tem sido debatida a relevância do tema ‘cooperação para a competitividade’. Isto significa que, quando concorrentes se irmanam para comprar e vender em conjunto; buscar acesso a novas tecnologias, a crédito e à inovação; ratear custos de capacitação e qualificação profissional; compartilhar estruturas logísticas, bem como atuar na formulação e articulação de políticas de interesse setorial, tornam-se mais fortes e, a pressuposta competição predatória, se verte em vantagem competitiva. Raciocínio similar se estende a entidades de cunho comunitário que se organizam para mediar perante agentes públicos e privados o suprimento às suas necessidades.

 

Compromisso com a comunidade

Embora uma entidade associativa atenda prevalentemente aos interesses de seus filiados, uma importante componente de sua práxis diária, em relação ao público externo, é a atuação em prol da comunidade. Este princípio pode ser traduzido pela  implantação de projetos e serviços de interesse público e social.

Algumas entidades associativas apoiam e gerem iniciativas que se vinculam a programas especiais ou mesmo a serviços prestados pela entidade, entre os quais podem ser enumerados: encaminhamento a empregos; controle de estacionamento; gestão de guardas municipais; revitalização de centros comerciais; ações de capacitação e qualificação profissional, além de extenso rol de possibilidades de composição de projetos.

Ações de voluntariado, que, além de atitudes de cunho assistencial, devem se estender ao assessoramento e aconselhamento a empresas e cidadãos, contribuem para a valorização das competências do quadro de constituintes da organização associativa e para a construção de relevantes laços comunitários.

Na esfera das ações promocionais, podem ser realizadas palestras e eventos esporádicos relativos a temas de variada natureza como saúde preventiva, economia doméstica, comércio justo, empreendedorismo, nova economia, sustentabilidade e meio ambiente entre outros temas de interesse comunitário e empresarial. Os profissionais e cidadãos que integram o quadro social da entidade, em ação coordenada com outras instituições e personalidades locais, podem se mobilizar para a organização dessas iniciativas.

Também é habitual a realização de ações beneficentes relativas à arrecadação de alimentos, brinquedos, materiais escolares e agasalhos para pessoas carentes e a promoção de campanhas de donativos, por ocasião da incidência de catástrofes naturais como enchentes, secas prolongadas e epidemias.

 

Disseminação da cultura da cooperação

Uma das estratégias a serem adotadas pela entidade na promoção do associativismo, é a realização de eventos específicos atinentes ao fortalecimento da cultura da cooperação dirigidos a seu quadro social e à comunidade.

A inserção de conteúdos programáticos curriculares nas redes de ensino púbica e privada representa uma dos elementos de reconhecimento deste tema para a construção de relações sociais saudáveis e de territórios prósperos. Concursos, gincanas, prêmios e eventos tendem a reiterar o interesse e o quórum qualificado nestas iniciativas, com a ressalva de que, preferencialmente, venham a ser incorporadas a estratégias permanentes de enraizamento do associativismo na localidade de intervenção da entidade associativa.

O investimento em novas gerações de empreendedores e empresários pode ganhar consistência mediante implementação de ações que envolvam, por exemplo, grupos familiares de associados e de colaboradores da entidade, com faixa etária compreendida entre 12 e 18 anos e, eventualmente, de jovens empreendedores da comunidade para a troca de experiências, promoção de missões associativas, realização de estudos de caso e para o aprofundamento de discussões e interesses relativos à atividade empreendedora (associativismo jovem).  Um outro aspecto relevante dessa iniciativa, é a formação de novas lideranças empresariais e de empreendedores sociais, de modo a assegurar a ampliação e continuidade da cultura associativa da entidade.

Proporcionar a crianças, adolescentes e jovens exercícios de experimentação sobre o tema associativismo representa semear em solo fértil e contar de antemão com farta colheita.

Uma contradição à disseminação da cultura associativa é a quase que inexistência de eventos ou ações integrados entre várias entidades, de cunho associativo, para promoção dos temas cultura da cooperação e do associativismo. No melhor estilo ‘estica e puxa’ parece haver pouco capital social e percepção da importância de se fazerem ações consorciadas que enalteçam a relevância da cooperação para o desenvolvimento sustentável. Uma boa provocação para as mais de 70 mil organizações associativas em atividade no país.

O atual momento torna evidente a necessidade de estas instituições liderarem o processo de reorganização social e econômica em suas comunidades. A melhor forma de enfrentamento a qualquer tormenta, seja ela qual for, é dispor de cidadãos e instituições autônomos, profissionalizados e imbuídos de um sentimento de coletividade e visão de futuro.

Por DONNA DIMAGGIO BERGER / ESPECIAL PARA O SUN SENTINEL / 29 DE MAIO DE 2019

Vozes levantadas, rostos avermelhados e gestos furiosos. Você pode pensar que está assistindo a uma audiência do Congresso no C-SPAN, mas você está na reunião do conselho da sua comunidade. A erosão da civilidade em nossa sociedade começou a se manifestar em comunidades residenciais privadas. Isso acontece de várias formas, desde a grosseria e o comportamento disruptivo nas reuniões, até comportamentos mais perigosos e crescentes. Embora seja impossível legislar a civilidade, a proximidade de uma moradia multifamiliar ou de uma comunidade com comodidades compartilhadas aumenta o impacto desses comportamentos e cria uma miríade de questões jurídicas e desafios operacionais para os conselhos de voluntários e seus gerentes. Talvez a questão jurídica mais difícil seja a determinação de quando a falta de civilidade requer ação na forma de regulamentação, execução ou, em circunstâncias notórias, medidas adicionais de segurança. Detalhes Os conselhos consideram que a qualidade de vida e a capacidade de conduzir negócios diminuem, uma vez que o tempo e os recursos são cada vez mais dedicados às interações pessoais entre residentes e funcionários, em vez do funcionamento da comunidade.

Donna DiMaggio Berger é Especialista Certificado em Condomínio e Lei de Desenvolvimento Planejado, é Acionista do escritório de advocacia Becker e atua como Diretora Executiva do Lobby de Liderança da Associação Comunitária. – (Folheto)

É difícil atrair e reter bons funcionários e contratados e, mais importante, ninguém vai querer servir no conselho ou em um comitê.

Dada a obrigação da associação de proteger a pessoa e a propriedade dos residentes, há um ponto em que é necessária uma ação reguladora e de execução. O que uma diretoria voluntária pode fazer?

  1. Realize uma reunião businesslike. Quanto mais organizados e profissionais forem os membros do conselho, menos oportunidade de interrupção.
  2. Peça aos membros do seu conselho que estabeleçam o padrão de civilidade. Algumas comunidades até exigem que os membros do conselho assinem e sigam um código de conduta, a fim de dar o exemplo e o tom apropriados para a comunidade. A maioria das associações tem estatutos que são décadas de idade. Nos últimos anos, atualizei inúmeros conjuntos de documentos para fornecer padrões operacionais e de comunicação para diretores e proprietários.
  3. Adotar e fazer cumprir as regras do Conselho com relação à maneira pela qual os residentes tratam uns aos outros, aos funcionários e aos contratados da propriedade. Embora isso seja subjetivo, a maioria de nós reconhece um comportamento realmente inaceitável quando o vemos.
  4. Opere com transparência e solicite informações da comunidade. Algumas comunidades fraturam por causa de um senso de sigilo e algumas fraturas por causa de diferenças geracionais na abordagem de manutenção e melhoria das instalações. É improvável que todos os proprietários concordem que certos projetos sejam necessários ou que as reservas sejam totalmente financiadas anualmente, mas os conselhos são eleitos para tomar decisões difíceis, não apenas as mais populares.

Fóruns que abordam esses problemas e enviam uma mensagem de que o comportamento incivil não é tolerado farão um serviço para suas comunidades.

Ao contrário da audiência do C-SPAN que você pode desativar, a discórdia em uma associação comunitária não pode ser interrompida na sua porta da frente. Os moradores das associações comunitárias devem perceber que “morar juntos” exige um nível de civilidade e respeito que esperamos que flua para cima em algum momento.

Quando novos membros chegam, você pode enviar uma carta de boas-vindas ou um pacote de informações. Mas uma associação vai um passo além quando reconhece novos membros em plataformas de mídia social.

Como fazer isso? Quando uma empresa se junta aos Empreiteiros de Ar Condicionado da América, eles recebem materiais tradicionais de integração de membros, incluindo um pacote de informações enviado pelo correio, um e-mail de boas-vindas e uma chamada de check-in. Mas Karina Romero, gerente de atendimento ao cliente da ACCA, leva o processo de integração um passo adiante, marcando novos membros no Facebook e no Twitter. “Queremos reconhecer nossos novos membros por meio de mídias sociais, porque é uma ferramenta fácil e de baixo custo ou sem custo”, diz ela. “Cria tráfego para suas páginas de mídia social e, acima de tudo, cria reconhecimento de marca.”

Veja como é um tweet de boas vindas:

ACCA@accausa

We’re happy to welcome our new member contractor, Cooper Mechanical, Inc. @CooperMech in Ottsville, PA ! We thank you for your support. We look forward to working with you. #accamovement #hvac #accanewmember
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12:45 – 13 de nov de 2018

Por que isso funciona? Receber um novo membro nas mídias sociais causa um impacto positivo na empresa durante a experiência de integração. Enquanto isso, Romero acompanha as métricas de mídia social, que informam se o novo membro provavelmente se envolverá online. “Eu gosto de rever impressões de tweets ou outros comentários breves de outros, e parece positivo”, diz ela. Qual é o bônus? As boas-vindas sociais da ACCA criam um canal para comunicação bidirecional: os membros podem fazer perguntas ou postar comentários sobre sua experiência como membros até o momento.

TIM EBNER
Tim Ebner é editor sênior da Associations Now. Ele cobre questões de associação, liderança e governança. Envie-lhe emails com ideias de histórias ou dicas de notícias.