INSPIRAÇÃO

Um sentimento mal acomodado na mente provocou a inspiração para a criação da Escola de Associativismo. Por que havia recuado e não encarado a luta como sempre fiz ? Razoes cristalinas indicavam a correção da decisão mas o espirito de luta relutava em aceitar. Estava deixando uma posição de diretor numa associação nacional de alta relevância. Precisava encontrar um outro campo de batalha para difundir meu sonho e praticar minha crença no aperfeiçoamento do associativismo.

 

Uma vasta experiência de mais de 40 anos em sindicatos, federações e confederação, em associações nacionais, estaduais e municipais, em câmaras e institutos, precisava ser compartilhada. E com certeza poderia trabalhar para que milhares de outros atores, como eu, também pudessem participar deste compartilhamento. O caminho de cima para baixo já havia sido explorado. E o caminho de baixo para cima ainda não. E a ideia da Escola de Associativismo apareceu. Uma escola para todos os envolvidos no associativismo mas, em especial, prioritariamente, para aqueles que estão iniciando esta jornada em associações. Estávamos em novembro de 2013.

 

Superados alguns mal-entendidos, receios, a ideia foi transformada em um projeto e a estratégia de convencimento foi alterada. Por ironia, decidimos tratar o tema de cima para baixo. Quase um ano após, foi realizada uma apresentação para o Presidente Marcos Guerra da FINDES e para o Vice Presidente para Assuntos do Centro de Apoio aos Sindicatos da FINDES Egidio Malanquine, que já conhecia a ideia. Outra apresentação foi realizada para todos os presidentes de sindicatos filiados a FINDES. Foi garantido finalmente pelo Presidente da FINDES a provisão de um quarto dos recursos previstos para a fase inicial do projeto e os trabalhos começaram em maio de 2015. Uma semente está sendo lançada, acompanhada de uma esperança muito grande de que seja agente de grandes transformações no associativismo de uma maneira ampla, ambiciosa ao longo do tempo.

 

Estamos na estrutura do IEL-Instituto Euvaldo Lodi, unidade de produção do Sistema FINDES responsável também pela capacitação empresarial e cujo Vice Presidente para Assuntos é Aristoteles Passos Costa Neto. Temos um Conselho Gestor para avaliação e decisão dos temas mais relevantes da escola.

 

O inicio da caminhada está feito. Temos um longo caminho pela frente, bem sabemos, mas o que motiva, o que estimula, é a convicção que neste caminho vamos encontrar inúmeras oportunidades para transformar para melhor o associativismo, ferramenta indispensável para uma sociedade organizada forte, condição fundamental para a existência de um estado democrático eficiente na geração de riqueza e bem estar para todos.

Sergio Rogerio de Castro
Diretor da Escola de Associativismo

SÉRGIO ROGÉRIO DE CASTRO – Presidente do Conselho de Gestão da Escola de Associativismo. Engenheiro Mecânico, pós-graduado em Engenharia Econômica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sócio das empresas Fibrasa, com atuação nas áreas da indústria de embalagens plásticas e do agronegócio, e MAR, de participação em empreendimentos. Senador da República em exercício de novembro de 2017 a março de 2018. Associadofundador da Ases, ex-presidente da Findes, conselheiro fundador do Espírito Santo em Ação e ex-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/ES

 

A maior associação filiada, a AARP – American Association of Retired Persons, que congrega aposentados, tem 33 milhões de membros. Alexis Tocqueville, estudioso francês que se imortalizou com a obra “A Democracia na América”, do início do século XIX, enaltece o associativismo e registra que a nação norte-americana nasceu associativista. Pode-se explicar daí a sua hegemonia mundial de 75 anos.

Pois bem, retomando o assunto inicial, o evento estava programado para ocorrer em um dos grandes hotéis resorts de Las Vegas. A Covid-19, porém, mudou os planos. Lançou-se então o desafio da realização de uma grande festa virtual para marcar a data, o que foi aceito e executado com grande sucesso, resultado de um espetacular esforço para que a versão remota tivesse todos componentes de uma celebração presencial. Palestras simultâneas inspiradoras, um salão para expositores apresentarem os seus produtos a associações e um ambiente facilitador de networking estavam disponíveis virtualmente para os participantes. O associativismo americano se adaptava
rapidamente às circunstâncias e fazia a sua festa em grande estilo, virtual.

Assim são as associações mundo afora: desafiadas, buscam soluções para a promoção do desenvolvimento. A última palestra a que assisti foi muito inspiradora. A ministrante, utilizando analogia com a expressão de protesto em voga nos EUA (sobre a importância dos negros naquele país), finalizou a sua participação com um sonoro “Associatians really matters!” (“Associações realmente são importantes!”). E são mesmo! No Brasil, o associativismo está menos evoluído do que nos Estados Unidos da América, mas também é uma atividade que se mostra muito importante. Associações religiosas de apoio às Santas Casas de Misericórdia no Brasil datam do século XVI; a de Vitória foi a quinta, fundada em 1551. Associações de comerciantes chegaram com D. João VI. A Associação Comercial do Rio de Janeiro é de 1809, e as comunitárias (de moradores) são mais recentes, de meados da década de 1940.

As associações têm sido responsáveis por ajuda relevante na saúde pública, na melhoria dos bairros das cidades e no desenvolvimento dos negócios, citando os três primeiros tipos de associações que até aqui têm merecido a atenção da EA – Escola de Associativismo.
No artigo “Muito cacique e muito índio”, disponível no nosso site (www. escoladeassociativismo.com), Gilmar Barboza nos traz um grande motivo para os esforços que a Escola tem realizado buscando fortalecer as associações no Brasil: “Segundo dados decorrentes do Mapeamento Nacional de Entidades de Representação Empresarial, realizado em 2010, pelo Sebrae, apenas 5% do total de 18 mil entidades identificadas exercem com excelência seu papel de defesa das empresas representadas”.

Há muito o que fazer para que maiores benefícios sejam alcançados pelas associações no nosso país. A Escola de Associativismo se propõe a organizar esse esforço. Seu negócio, seu objetivo explícito, é fortalecer as associações para que sejam mais protagonistas, mais propositivas. A Escola entende que o associativismo é transformador, que é fundamental para que alcancemos rapidamente um nível de democracia mais evoluído que propicie vivermos em melhores cidades, estados e países. Simples e tão importante assim.


Fonte: IEL – 200 Maiores e melhores empresas Espírito Santo 2020