Renovação, expansão e fortalecimento do associativismo marcam o ano de 2026 para a Escola de Associativismo. Em um momento de transição institucional, a única escola do país dedicada exclusivamente à formação associativista projeta novos caminhos, amplia parcerias estratégicas e aposta na formação desde a base, com a chegada do projeto piloto ao SESI e ao SENAI.

Nesta entrevista, o diretor Agostinho Rocha fala sobre a renovação da governança, a conexão com diferentes setores da sociedade, os novos conteúdos formativos, projetos voltados a públicos como comunidades indígenas e o papel dos eventos na mobilização de lideranças. Uma conversa que aponta para o futuro e reafirma um princípio central: o associativismo como caminho para uma sociedade mais próspera, colaborativa e justa.

 

Prioridades 2026

Quais são as principais marcas e prioridades da Escola de Associativismo para 2026, especialmente neste momento de transição e renovação institucional?

2026 será um tempo de renovação para a Escola de Associativismo. Nosso mandato se aproxima do fim e já estamos trabalhando na identificação de novas lideranças, com foco no associativismo, no ser humano, na qualidade de vida das pessoas e na justiça social. Acreditamos que a qualificação é um caminho inexorável para a construção de um mundo melhor.

A marca deste novo ciclo — que se estende por 2026 e pelos próximos 4 anos — será a renovação. Teremos a eleição de um novo presidente do Conselho e da Diretoria, a formação de um novo conselho e a reformulação do conselho de voluntários, que é composto integralmente por pessoas que doam seu tempo e conhecimento à Escola.

Seguimos empenhados em ampliar a conexão da Escola de Associativismo com diversos setores da sociedade, fortalecendo parcerias com entidades públicas e privadas. Nosso objetivo é qualificar associações empresariais, aproximá-las ainda mais do comércio, do transporte, dos serviços, da agricultura e de outros segmentos, reforçando a ideia de que o caminho para a prosperidade passa por associações fortes, com planejamento e visão coletiva.

“O caminho para a prosperidade passa por associações fortes, com planejamento e visão coletiva.”

Projeto SESI/SENAI

Em 2026, o projeto de expansão da Escola de Associativismo para as unidades do SESI e do SENAI ganha ainda mais relevância. Como esse projeto pode ser desenvolvido e impactar a formação de jovens, fortalecendo desde a base uma cultura associativista no Brasil?

Em 2026, daremos início às atividades piloto desse projeto. Já está sendo gravado um vídeo de acolhida com o presidente da Findes, Paulo Baraona, junto comigo, marcando simbolicamente o começo dessa jornada. A proposta é levar o conhecimento associativista de forma adequada a cada etapa da formação, utilizando jogos, simulações e projetos práticos.

No Ensino Fundamental I, o foco será despertar desde cedo valores como cooperação, pertencimento e trabalho coletivo. No Fundamental II, a ideia é aprofundar conhecimentos técnicos e teóricos. Já no Ensino Médio, especialmente nas escolas de referência do SESI e do SENAI, o objetivo é estimular o surgimento de associações fortes dentro das próprias escolas.

Queremos que essas escolas se tornem verdadeiros hubs de associativismo, onde os jovens possam sair já envolvidos em projetos ou ações concretas, capazes de gerar impacto real na sociedade. Precisamos de associações com resultados efetivos, e esse ambiente escolar pode ser um grande catalisador das ideias e do potencial desses estudantes.

A expectativa é que, por meio do SESI e do SENAI, consigamos formar mais homens e mulheres com foco no associativismo. Esse piloto também carrega um sonho maior: no futuro, transformar essa experiência em um modelo que possa ser replicado em escolas públicas e privadas, contribuindo para uma sociedade mais colaborativa e melhor para todos.

“Queremos que as escolas se tornem verdadeiros hubs de associativismo.”

Bases do Associativismo

Quais valores e princípios do associativismo seguem como base do trabalho da Escola em 2026 e orientam suas ações?

Gosto muito de um lema do Rotary que diz: “Dar de si antes de pensar em si.” Esse princípio orienta profundamente o trabalho da Escola. Temos nos dedicado a mostrar que fazer o bem de forma qualificada, sem esperar retorno individual ou reconhecimento pessoal, gera uma recompensa muito maior para o coletivo.
Essa é a direção que seguimos em 2026. Nosso plano de trabalho e orçamento já prevê a busca por novas parcerias, pois a Escola funciona por meio do apoio de doadores e instituições parceiras. Fortalecer essas conexões é essencial para ampliar nosso impacto.

Costumo dizer que a Escola, enquanto instituição, precisa brilhar — mas, antes disso, precisa fazer com que a comunidade brilhe. Quando associações e comunidades passam a gerar resultados, fortalecendo o coletivo e contribuindo para um país melhor, sentimos que nossa missão está sendo cumprida. Essa é a nossa verdadeira recompensa.

“A Escola precisa fazer a comunidade brilhar antes de brilhar.”

Parcerias estratégicas

Quais parcerias a Escola pretende fortalecer ou ampliar em 2026 e como elas contribuem para impulsionar o associativismo?

Além das parcerias já consolidadas com instituições como Suzano, Sicoob e FAEM, nosso objetivo é manter e ampliar essas alianças, buscando novas instituições que se identifiquem com o propósito da Escola.

Um exemplo importante é a possibilidade de retomar a parceria com o Sebrae, que tem um papel fundamental no apoio ao pequeno empreendedor brasileiro. Essa conexão pode ampliar significativamente o alcance da formação associativista, fortalecendo a cultura do trabalho em equipe e da atuação coletiva.

Outro projeto em construção é a aproximação com associações de moradores, por meio das prefeituras que reconheçam a importância de investir na formação de lideranças comunitárias. Já existem tratativas em andamento, ainda de forma reservada, mas acreditamos que esse movimento pode gerar avanços relevantes ao longo de 2026.

Novos projetos e públicos – povos indígenas

Como a Escola de Associativismo está estruturando projetos voltados a novos públicos, como as comunidades indígenas?

O projeto voltado às comunidades indígenas, em parceria com a Suzano, está em fase de estruturação. Estamos avaliando o modelo mais adequado e já recebemos a indicação de que os primeiros encontros sejam presenciais, permitindo uma vivência sinestésica e próxima da realidade dessas comunidades.

Acreditamos que esse projeto trará resultados muito positivos, especialmente por reforçar a importância de uma visão coletiva. Embora o olhar indígena seja naturalmente comunitário, ele faz parte de um ecossistema mais amplo, que envolve outros povos e realidades — como comunidades quilombolas, imigrantes e o setor industrial.

Não é possível pensar soluções isoladas. O desafio está em construir caminhos que considerem os impactos para todos os envolvidos. Ao despertar essa consciência coletiva nas lideranças indígenas, fortalecemos a ideia de que pessoas unidas geram resultados mais consistentes e duradouros.

“Pessoas unidas geram resultados mais consistentes e duradouros.”

Conteúdos formativos

Quais são as novidades previstas nos conteúdos formativos da Escola de Associativismo para 2026?

O Comitê de Educação da Escola tem realizado um trabalho extremamente relevante na construção de novos conteúdos formativos. Ao longo dos primeiros módulos, nosso foco esteve na estrutura do associativismo, nas relações institucionais e na compreensão dos papéis e responsabilidades dentro das associações.

Nos últimos anos, identificamos que muitas entidades enfrentam dificuldades em lidar com rotinas básicas, como prestação de contas, elaboração de relatórios financeiros e planejamento orçamentário. Muitas vezes, essas atividades são realizadas de forma funcional, sem o suporte técnico necessário.

Por isso, estamos desenvolvendo uma nova trilha de formação, mais técnica e aplicada ao dia a dia das associações — algo que pode ser definido como “associativismo aplicado às rotinas administrativas”. A proposta é transformar o conhecimento conceitual em prática efetiva.

Esse trabalho está sendo conduzido pela líder do Comitê de Educação, Mara Stocco, em conjunto com Gilmar Nogueira, coordenador do Comitê de Comunicação, cuidando tanto do conteúdo quanto da linguagem e da estética dos materiais. Trata-se de uma formação pensada com base na andragogia, voltada ao público adulto. O projeto está em fase final de validação pelo Conselho e pela Diretoria. A pós-graduação, por enquanto, permanece no radar como um objetivo futuro.

“O associativismo aplicado à rotina é o próximo passo da nossa formação.”

Eventos

Qual o papel dos eventos da Escola, como o Vinho com Prosa, no fortalecimento do associativismo?

O evento Vinho com Prosa seguirá sendo realizado e está em constante evolução. Além do reconhecimento do Associativista Inspirador, estamos estruturando o Prêmio Jornalista Associativista, voltado a profissionais da comunicação que contribuem para fortalecer e difundir a cultura do associativismo.

Reconhecer esses jornalistas é fundamental para dar visibilidade a quem defende essa bandeira e amplia o alcance do nosso projeto. Os eventos também têm cumprido um papel importante na aproximação de lideranças e na promoção de debates qualificados.

Um dos grandes desafios é transformar o discurso em engajamento real. Muitas pessoas reconhecem a importância do associativismo, mas encontram dificuldade em dedicar tempo e energia ao tema. Acreditamos que o conhecimento profundo gera envolvimento verdadeiro. Só nos apaixonamos por aquilo que conhecemos de fato. É esse caminho que buscamos trilhar.

“Conhecimento gera engajamento. Só nos apaixonamos pelo que conhecemos de verdade.”

Futuro da Escola

Como o senhor enxerga o futuro institucional da Escola de Associativismo a partir desse processo de renovação?

Este será, de fato, um ano de renovação. Um novo presidente do Conselho e um novo diretor trarão novos olhares, ideias e energia para a Escola. Acreditamos que a renovação é essencial para o avanço institucional, pois permite que diferentes visões fortaleçam o sistema.

Nosso papel será apoiar esse processo, oferecendo liberdade para que novas lideranças conduzam projetos e implementem ideias que considerem viáveis. Essa abertura é fundamental para garantir a evolução contínua da Escola de Associativismo.

“A renovação é essencial para que novas ideias fortaleçam o sistema associativista.”